Certa vez, um estudo conduzido pela psicóloga social Naomi Eisenberger revelou que a dor social é sentida de forma semelhante à dor física, no Córtex Cingulado Anterior (CCA). Resumindo, submeteram os participantes a uma situação em que experimentaram rejeição social e, através de exames, constataram que o uso de paracetamol diminuía a dor social de forma significativa, da mesma maneira que ocorre com a dor física, em comparação aos que tomaram placebo. Bem, essa pesquisa curiosa levanta questões interessantíssimas!
Sabendo que as dores físicas e sociais podem ser percebidas na mesma região do cérebro, mas por estímulos completamente distintos, pensei o seguinte: Se eu sinto dor nos olhos, obviamente não irei me consultar com um urologista. Afinal, o corpo e nossa percepção sobre ele nos tornam capazes de saber exatamente onde dói (quase sempre). Mas e quanto às dores da alma? Seria estranho dizer que fulano(a) sentiu dor no nariz da alma, né? Ou, talvez, até soe menos estranho, num primeiro momento, dizer: ‘Os rins da sua alma não estão trabalhando muito bem’. Bem, isso acabou me fazendo refletir sobre a possível existência de partes que a ‘alma’ possa ter. Note: ‘alma’, mente, psique, corpo social/mental, ou qual seja a maneira mais apropriada para chamar.
Talvez ainda falte identificar a existência de tais partes. Talvez, um dia percebamos que podemos estar tratando as dores da alma como se chegássemos a um médico e disséssemos: “Estou com dor, faça alguma coisa, doutor”.
