Crônicas, pensamentos e reflexões.

Certa vez, um estudo conduzido pela psicóloga social Naomi Eisenberger revelou que a dor social é sentida de forma semelhante à dor física, no Córtex Cingulado Anterior (CCA). Resumindo, submeteram os participantes a uma situação em que experimentaram rejeição social e, através de exames, constataram que o uso de paracetamol diminuía a dor social de forma significativa, da mesma maneira que ocorre com a dor física, em comparação aos que tomaram placebo. Bem, essa pesquisa curiosa levanta questões interessantíssimas!

Sabendo que as dores físicas e sociais podem ser percebidas na mesma região do cérebro, mas por estímulos completamente distintos, pensei o seguinte: Se eu sinto dor nos olhos, obviamente não irei me consultar com um urologista. Afinal, o corpo e nossa percepção sobre ele nos tornam capazes de saber exatamente onde dói (quase sempre). Mas e quanto às dores da alma? Seria estranho dizer que fulano(a) sentiu dor no nariz da alma, né? Ou, talvez, até soe menos estranho, num primeiro momento, dizer: ‘Os rins da sua alma não estão trabalhando muito bem’. Bem, isso acabou me fazendo refletir sobre a possível existência de partes que a ‘alma’ possa ter. Note: ‘alma’, mente, psique, corpo social/mental, ou qual seja a maneira mais apropriada para chamar.

Talvez ainda falte identificar a existência de tais partes. Talvez, um dia percebamos que podemos estar tratando as dores da alma como se chegássemos a um médico e disséssemos: “Estou com dor, faça alguma coisa, doutor”.

Adenium obesum

As memórias vêm como a luz refletindo em uma pintura sacra, colorindo o pó daquilo que há muito não é visitado. O som aparece por dedução, remetendo à época gloriosa hoje silenciada. A virtude se transformou em nostalgia enquanto o vislumbre do sótão, carregado de possibilidades para a imaginação daquele que se identifica, almeja que a vida retorne através do mesmo entusiasmo que um dia fora perdido.

Não há glória no abandono, não existe poesia na rejeição. Tristes pastos solitários, triste céu, só um pássaro se atreve a cantar, destoando do redor, onde a chuva sacramenta a visão que paralisa por sua dor. Onde está a vida? Onde está o calor? Se, por um lado, o aconchego das cobertas aquece, engana por ser artificial e, mesmo assim, na ausência de mais, conforma-se na morte do sonhador, toda esperança que fora vendida por ilusão nas mãos hábeis de quem nunca pode escutar a música da vida, em todas as suas notas, e jamais poderia compreendê-la. Quem será mais triste, afinal?

O lago congelado não criou ondulações quando a pedra foi jogada; na verdade, trincou. Todos os raios, como testemunhas, realçaram a ausência, a negligência e, ainda que as emoções não encontrassem mais lugar ou força, a água escapou pela fenda e foi evidenciada pela luz dos relâmpagos e entrelaçada na sinfonia ao som do trovão. Há vida, há luz e música! A esperança venceu. O pássaro já sabia.

Nos experimentos de dupla fenda e dupla fenda atrasada, foram demonstrados alguns fatos extraordinários, como a alteração do comportamento dos fótons sob observação (humana ou não), onde se comportam como partícula, e, quando apagado o registro de tal observação (no experimento de dupla fenda atrasada), eles se comportam como onda. Ou seja: como se não tivessem sido observados, o que implica na ideia, aparentemente absurda, de alterar o passado.

Uma questão me levou a uma “quase discussão” acadêmica, pois, para mim, não fazia sentido considerar um observador não humano como fato determinante, sem levar em conta que a interpretação dos dados só seria possível através de uma consciência que pudesse compreendê-la. Deixar o interpretador de lado soou estranho, mas eu ainda não tinha clareza sobre o que me incomodava mais nisso tudo.

Bem, ainda que o observador, de fato, não precise ser humano para que ocorra a alteração dos resultados no experimento, ainda há um envolvimento consciente em todo o processo e, logo, uma ideia me saltou: a intencionalidade! E se a interferência nos resultados não depender, necessariamente, do ato de observar, mas da intenção de um observador consciente por trás do observador humano ou não? Seria possível o resultado do experimento ser determinado no momento em que houvesse intenção sobre a função do observador? Se sim, como verificar a intencionalidade? Não tenho ideia…

Vídeo para entender os experimentos de dupla fenda e dupla fenda atrasada.