Crônicas, pensamentos e reflexões.

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Adenium obesum

As memórias vêm como a luz refletindo em uma pintura sacra, colorindo o pó daquilo que há muito não é visitado. O som aparece por dedução, remetendo à época gloriosa hoje silenciada. A virtude se transformou em nostalgia enquanto o vislumbre do sótão, carregado de possibilidades para a imaginação daquele que se identifica, almeja que a vida retorne através do mesmo entusiasmo que um dia fora perdido.

Não há glória no abandono, não existe poesia na rejeição. Tristes pastos solitários, triste céu, só um pássaro se atreve a cantar, destoando do redor, onde a chuva sacramenta a visão que paralisa por sua dor. Onde está a vida? Onde está o calor? Se, por um lado, o aconchego das cobertas aquece, engana por ser artificial e, mesmo assim, na ausência de mais, conforma-se na morte do sonhador, toda esperança que fora vendida por ilusão nas mãos hábeis de quem nunca pode escutar a música da vida, em todas as suas notas, e jamais poderia compreendê-la. Quem será mais triste, afinal?

O lago congelado não criou ondulações quando a pedra foi jogada; na verdade, trincou. Todos os raios, como testemunhas, realçaram a ausência, a negligência e, ainda que as emoções não encontrassem mais lugar ou força, a água escapou pela fenda e foi evidenciada pela luz dos relâmpagos e entrelaçada na sinfonia ao som do trovão. Há vida, há luz e música! A esperança venceu. O pássaro já sabia.

Mais algumas ideias malucas…

Nos experimentos de dupla fenda e dupla fenda atrasada, foram demonstrados alguns fatos extraordinários, como a alteração do comportamento dos fótons sob observação (humana ou não), onde se comportam como partícula, e, quando apagado o registro de tal observação (no experimento de dupla fenda atrasada), eles se comportam como onda. Ou seja: como se não tivessem sido observados, o que implica na ideia, aparentemente absurda, de alterar o passado.

Uma questão me levou a uma “quase discussão” acadêmica, pois, para mim, não fazia sentido considerar um observador não humano como fato determinante, sem levar em conta que a interpretação dos dados só seria possível através de uma consciência que pudesse compreendê-la. Deixar o interpretador de lado soou estranho, mas eu ainda não tinha clareza sobre o que me incomodava mais nisso tudo.

Bem, ainda que o observador, de fato, não precise ser humano para que ocorra a alteração dos resultados no experimento, ainda há um envolvimento consciente em todo o processo e, logo, uma ideia me saltou: a intencionalidade! E se a interferência nos resultados não depender, necessariamente, do ato de observar, mas da intenção de um observador consciente por trás do observador humano ou não? Seria possível o resultado do experimento ser determinado no momento em que houvesse intenção sobre a função do observador? Se sim, como verificar a intencionalidade? Não tenho ideia…

Vídeo para entender os experimentos de dupla fenda e dupla fenda atrasada.

A cultura do egoísmo

Qual será o benefício da confusão onde opiniões se misturam com fatos e batalhas são travadas sob um campo encoberto pela fumaça das narrativas? Às vezes a sensação que tenho é de isso que pouco importa para alguns, além do exercício de manutenção da própria vaidade. Vejo um lado que se comporta como um adolescente de doze anos rejeitado pelos pais; com sua recém adquirida capacidade de formular teorias, rompantes de egocentrismo, sem estímulo à função executiva do controle inibitório, antes do desenvolvimento completo do córtex pré-frontal (que leva as questões à razão) e desejo de destruir aquilo que não tiveram. Mas esses são menos perigosos que aqueles que sabem e incentivam isso através da cultura do egoísmo.

                Já escrevi outras vezes, mas não me canso, pois, estamos alcançando um nível de egoísmo que supera o que sustentou nossa evolução até aqui. Estamos a ponto de sermos mais egoístas que nossos próprios genes que garantiram a nossa existência, como descreveu Richard Dawkins em “O gene egoísta”. Resumindo: um pinguim, se pudesse, não hesitaria em empurrar o outro ao mar para ser devorado por uma foca se isso promovesse a sobrevivência da própria prole (o gene). E nós somos os únicos que podem aspirar superar essa determinação genética por meio da empatia.

                Mas existe uma cultura que tenta deixar as pessoas mais egoístas que seus genes em troca de uma sensação de pertencimento à grupos enviesados e suas promessas vazias e segregadoras. E é claro que isso funciona, pois, como disse anteriormente: “adolescentes rejeitados pelos pais”. Mas isso vai além, já que tal cultura visa se perpetuar e um de seus recursos é falar sobre gênero na primeira infância, durante a fase fálica que, segundo Freud, onde se dá o complexo de Édipo. E este, quando bem concluído, contribui para o desenvolvimento do superego, parte que atua como sensor do próprio ego que lida com os impulsos do ID (que é puro desejo) e a realidade externa. Ou seja, isso afetará diretamente o desenvolvimento da personalidade as carregando com tendências egoístas e princípios hedonistas.

                E agora a liberação do porte de… Orégano? Ora, devemos considerar que quando consumida por adolescentes, as chances de dependência são de 17% segundo a NIDA (National Institute on Drug Abuse), e 9% para usuários adultos. Mas vou falar só sobre o consumo entre adolescentes. O uso regular de maconha durante a adolescência, período crucial para o desenvolvimento do cérebro, pode ter impactos negativos mais acentuados. Estudos mostram uma associação entre o uso precoce de maconha e uma redução no QI, além de outros déficits cognitivos.

                O conjunto da obra até aqui, somado a destruição de valores que visam respeito à vida, empatia e caridade, parece ter um objetivo concreto.

                Então, sem eximir ninguém da responsabilidade, como deixamos a situação chegar a esse ponto? Para onde estavam voltados nossos olhos enquanto tudo isso acontecia?

                Deixo claro, também, que estas são conclusões pessoais, sob minha perspectiva do mundo, evidentemente limitada.