Crônicas, pensamentos e reflexões.

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Um olhar para o outro

Ainda que o objeto seja identificado como a projeção da própria sombra na parede, que detalhes o observador reconheceria de si mesmo, além da silhueta que sofrera variações de proporções distorcidas pela distância e irregularidades da parede da caverna?

E, ainda que houvesse mais pessoas, lado a lado, com a luz da fogueira sobre suas costas e olhando para as próprias sombras projetadas, além de privar-se de uma visão (ao menos parcial) do outro, ainda teriam uma percepção equivocada sobre a realidade.

Agora, imagine se essas pessoas estivessem sentadas em torno e de frente para a fogueira. Poderiam falar umas sobre as outras, enxergar seus grilhões e, finalmente, se liberar para decidir sair, ou não da caverna.

Perceber o outro, sob a perspectiva desta alegoria, depende da posição que nos encontramos em relação a fogueira.

A alma é como a luz capaz de promover toda experiência humana e, a qualidade da experiência, porém, depende do nosso posicionamento em relação a ela. Sua anatomia está intrinsecamente vinculada a nossa interferência em relação ao seu fluxo natural e o meio em que vivemos, essa projeção pode promover beleza ou dor.

Em última análise, precisamos amar para não adoecer

Sigmund Freud, Introdução ao narcisismo (1914).

Deixei todas as etapas da elaboração desta ideia em uma única página que pode ser encontrada ao lado do menu “Doações”, ou através deste link.

O sujeito como criador da própria sombra

Tendo como ponto de partida que Eros é a fogueira, que quando o percurso de sua luz em direção a parede da caverna encontra um obstáculo, e a visão deste do obstáculo sobre a sua própria sombra ganha interpretação de algo além de si próprio, desconsiderando sua natureza causadora; cria-se a ilusão de dualidade e a consciência de um “eu” observador.

A descrição desta interação revela outras coisas também, como, por exemplo, que na ausência de uma alma (Eros), a psique não teria condições perceber a si mesma como observadora de uma sombra, nem como agente observador e, tampouco aspirar a consciência de agente causador. Diz também, que a caverna, a fogueira e o observador são partes da composição da experiência humana e, sobretudo, diz que a alma é a única fonte capaz de promover e revelar esta dinâmica.

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Eros, Tânatos e Psique

Talvez, a pulsão de morte seja a interpretação da psique sobre a sombra do obstáculo refletida entre a fogueira e a parede da caverna.