Um vento frio, um incômodo, uma sensação.
Percepções que levam à inevitável identificação com o “eu” sensível. A história subjetiva passa a ser escrita e, ainda que o eu se modifique, ainda há a segurança do mesmo eu que existe.
Uma onda do oceano passa a ser uma onda no oceano. Além de uma sutileza linguística: uma separação. Um momento de expressão única de um Todo, uma onda que se enxergou. Teve medo.
A brevidade inevitável fez a onda buscar algo além de si mesma, algo capaz de transcendê-la além da forma. Tal busca, porém, se deu sob a ideia da onda no oceano, e elevar-se parecia o caminho certo. Ir além, enfim.
Assim, a onda se distanciou.
Não havia um topo a escalar, mas uma sutileza a perceber. A jornada era, na verdade, o caminho de volta para casa.
A força da onda diminuiu, foi perdendo sua forma e percebendo a realidade de que, o tempo todo, era uma manifestação do oceano.
Era oceano.
Comentários em: "A onda" (2)
Que texto lindo. Consigo me ver nele e gostei disso. Ainda que caótico, minha trajetória tem beleza. 😊
CurtirCurtido por 2 pessoas
Certamente que tem!
Obrigado 🙂
CurtirCurtido por 1 pessoa