Crônicas, pensamentos e reflexões.

Uma pequena folha se desprendeu de uma árvore e caiu sobre um lago. Pequenas ondas surgiram ao seu redor, de forma que algumas delas ficaram brilhantes quando estas encontravam um ângulo específico na imagem do Sol refletida na água.

Era quase imperceptível; sutil, enfim. Havia tantos eventos de maiores proporções acontecendo naquele cenário que observar a sutileza das ondas provocadas por uma folha que se desprendera parecia irrelevante. Para a árvore da qual se desprendera, carregada de tantas outras folhas, o evento teve a mesma relevância.

Mas antes da queda da folha e, da mesma árvore, após uma rajada de vento, uma cigarra se desprendeu e, tragicamente, também foi lançada ao lago, molhando suas asas. Menos infortunada a cigarra, porém! Instintivamente, ao sentir as pequenas ondulações provocadas pela folha, a pequena criatura se moveu até ela e, ali, encontrou refúgio.

As árvores continuavam a balançar, o barulho das criaturas preenchia as lacunas sensoriais e o cheiro da natureza finalizava aquela composição grandiosa. Mas poucos foram aqueles que puderam assistir a uma cigarra recém-salva, cantando em sua pequena canoa, sob a luz do Sol com a folha, igualmente feliz, como se tivesse realizado um propósito.

Comentários em: "A cigarra e a folha" (2)

  1. Avatar de Carolina e Catarina

    Que agradável ler sua crônica! Que bom que a cigarra teve um final feliz. Esta maneira de escrever nos levou a imaginar perfeitamente o cenário através da imaginação. Parabéns!

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