Crônicas, pensamentos e reflexões.

Enquanto me dava conta da impermanência das coisas, a sensação de desinteresse assolava todo meu ser; afinal, para que me dedicar? O mundo ficou sem cor e comecei uma busca desesperada por sensações que justifiquem minha permanência nele. As coisas que me eram tão caras e obtinham toda a atenção, assim como os objetivos materiais, para mim, de alguma maneira, perderam o sabor. O que fazer em um mundo sem cor? Qual o sentido de me apegar ao impermanente?

Após este período, o foco mudou para a necessidade de reconhecimento. Natural que emergisse uma ferida antiga após o desinteresse pelas coisas e pelo mundo. Ao mesmo tempo, lembranças dos dias mais felizes da minha vida surgiram como se o universo estivesse me estendendo a mão; mas não para me confortar com as memórias, e sim, para eu perceber que eu não possuía nenhum dos lugares, ou coisas, que estiveram ao meu alcance, nos dias mais importantes da minha vida.

A necessidade de reconhecimento foi se desmembrando: parte era necessidade de pertencimento, outra parte, era sentido de propósito; enfim, conexões e amor – afinal, eu amo buscar o sentido das coisas e encontrar correspondências que possam explicá-las.

Apesar de estar satisfeito neste momento – até porque, provavelmente amanhã surgirá uma nova questão que me inquietará – sinto que devo explicar o que compreendi da minha experiência no “caminho de volta”.

Afinal, o que diferenciou aqueles momentos inesquecíveis de tantos outros momentos? Uma das coisas foi minha total permanência e entrega ao momento vivido. Mas o que proporcionou condições para que isso acontecesse? Primeiro, a contemplação. Das três visões dos momentos que mais marcaram minha vida, em todas havia mistério – no que se refere à capacidade de se maravilhar sem ter a menor ideia do que virá a seguir -, a ausência de controle, portanto, é a primeira característica.

A segunda característica foi uma conexão profunda com quem estava comigo. Havia uma relação de confiança e cumplicidade quase que indescritíveis e, somada à primeira característica, por alguns instantes, nada mais importava além do fato de estar vivendo aqueles momentos. Era o amor.

A outra visão foi diferente das duas anteriormente descritas. Eu estava só, em um cômodo fechado, e o tom de mistério se deu por um cheiro. Uma mistura de mar com areia da praia, que estavam perto, me trouxe a sensação de pertencimento total ao meio e inúmeras possibilidades, ainda que indefinidas.

Então, o que me levou a alguns instantes no “paraíso”, foi o amor manifestado por conexões, seja ao meio ou a alguém, a falta de controle e o fato de não possuir nenhum destes.

Os momentos se passaram e deixaram lições importantes, ainda que eu tenha demorado anos para compreendê-las. Mas, se posso dizer, dentro das minhas possibilidades, o que realmente importa é: a capacidade de amar o próprio amor e deixá-lo fazer sua mágica, seja onde for. O apego aos momentos importantes podem limitá-lo, restringi-lo à nossa vontade; mas, lembre-se: talvez ele se dê, plenamente, na ausência de controle, nas conexões genuínas. Ao menos para mim, foi assim.

Esperar pelo extraordinário, pode fazer o extraordinário passar sem que você perceba.

Deixei todas as etapas da elaboração desta ideia em uma única página que pode ser encontrada ao lado do menu “Doações”, ou através deste link.

Comentários em: "O caminho de volta" (6)

  1. Avatar de Marília Litvinu
    Marília Litvinu disse:

    Excelente reflexão , ahahah ! Feliz Ano Novo Aluízio! Beijos no seu coração apaixonado!

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  2. Avatar de Andrea Gondim

    Profundo e carregado de sensibilidade. Parabéns pelo post! Tim-tim 🥂

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  3. Avatar de Carolina e Catarina

    Que reflexão interessante!!!
    Me fez pensar…
    Na minha maneira de entender, o que é “Essência” não é impermanente, tanto é, que esses momentos ainda vivem em você. O que é impermanente? Coisas materiais, títulos, status….que servem por um período mas um dia acabam…. Pelo menos foi o que entendi vendo o vídeo abaixo que recebi hoje e que por coincidência, fala sobre a impermanência:👇🏼

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