Crônicas, pensamentos e reflexões.

Qual será o benefício da confusão onde opiniões se misturam com fatos e batalhas são travadas sob um campo encoberto pela fumaça das narrativas? Às vezes a sensação que tenho é de isso que pouco importa para alguns, além do exercício de manutenção da própria vaidade. Vejo um lado que se comporta como um adolescente de doze anos rejeitado pelos pais; com sua recém adquirida capacidade de formular teorias, rompantes de egocentrismo, sem estímulo à função executiva do controle inibitório, antes do desenvolvimento completo do córtex pré-frontal (que leva as questões à razão) e desejo de destruir aquilo que não tiveram. Mas esses são menos perigosos que aqueles que sabem e incentivam isso através da cultura do egoísmo.

                Já escrevi outras vezes, mas não me canso, pois, estamos alcançando um nível de egoísmo que supera o que sustentou nossa evolução até aqui. Estamos a ponto de sermos mais egoístas que nossos próprios genes que garantiram a nossa existência, como descreveu Richard Dawkins em “O gene egoísta”. Resumindo: um pinguim, se pudesse, não hesitaria em empurrar o outro ao mar para ser devorado por uma foca se isso promovesse a sobrevivência da própria prole (o gene). E nós somos os únicos que podem aspirar superar essa determinação genética por meio da empatia.

                Mas existe uma cultura que tenta deixar as pessoas mais egoístas que seus genes em troca de uma sensação de pertencimento à grupos enviesados e suas promessas vazias e segregadoras. E é claro que isso funciona, pois, como disse anteriormente: “adolescentes rejeitados pelos pais”. Mas isso vai além, já que tal cultura visa se perpetuar e um de seus recursos é falar sobre gênero na primeira infância, durante a fase fálica que, segundo Freud, onde se dá o complexo de Édipo. E este, quando bem concluído, contribui para o desenvolvimento do superego, parte que atua como sensor do próprio ego que lida com os impulsos do ID (que é puro desejo) e a realidade externa. Ou seja, isso afetará diretamente o desenvolvimento da personalidade as carregando com tendências egoístas e princípios hedonistas.

                E agora a liberação do porte de… Orégano? Ora, devemos considerar que quando consumida por adolescentes, as chances de dependência são de 17% segundo a NIDA (National Institute on Drug Abuse), e 9% para usuários adultos. Mas vou falar só sobre o consumo entre adolescentes. O uso regular de maconha durante a adolescência, período crucial para o desenvolvimento do cérebro, pode ter impactos negativos mais acentuados. Estudos mostram uma associação entre o uso precoce de maconha e uma redução no QI, além de outros déficits cognitivos.

                O conjunto da obra até aqui, somado a destruição de valores que visam respeito à vida, empatia e caridade, parece ter um objetivo concreto.

                Então, sem eximir ninguém da responsabilidade, como deixamos a situação chegar a esse ponto? Para onde estavam voltados nossos olhos enquanto tudo isso acontecia?

                Deixo claro, também, que estas são conclusões pessoais, sob minha perspectiva do mundo, evidentemente limitada.  

Comentários em: "A cultura do egoísmo" (2)

  1. Avatar de VEM comigo!

    Interessante essa parte onde você afirma que: ” estamos alcançando um nível de egoísmo que supera o que sustentou a nossa evolução até aqui…” Sim! E acredite: a tendência é só piorar. Creio que, isso mostra o lado negro do ser humano e, como sugere a própria psicanálise, vamos melhorando essa questão, a medida em que vamos trabalhar ela. Quanto a parte que você cita toda essa desordem que envolve “a liberação do porte de orégano”, a única coisa que de fato, vem sendo trabalho nisso é a questão de interesses lucrativos. Ao jovem que ainda se encontra nesse parte de desenvolvimento de cérebro e outras coisas, fazendo o uso da maconha é uma tempestade forte, pela qual ele passa; slguns passam outros, nem tanto. Mas a pergunta é: ” E os barões dessa produção toda?” Se preocupa com esse resultado negativo? Não, mas no quanto entra em seus bolsos.

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