Crônicas, pensamentos e reflexões.

Minha busca começou com uma pergunta: seria possível mapear a anatomia da alma? Utilizando da filosofia, psicanálise e neurociência, decidi a explorar a essência da experiência humana, explorando as forças que nos conectam ao mundo, a nós mesmos e aos outros.

Ao buscar respostas em diferentes áreas do conhecimento, cheguei a duas descobertas centrais: o aparelho emocional e o elemento fundamental.

A hipótese de um aparelho emocional surgiu como uma analogia ao aparelho respiratório: um sistema que regula o fluxo de afetos, essencial para a saúde emocional e relacional. Assim como o oxigênio é vital para a vida física, o amor — como troca equilibrada de afeto — revelou-se indispensável para a saúde psíquica. Essa comparação mostrou que tratar das “dores da alma” seria um equívoco conceitual, como buscar na qualidade do ar características que explicassem o aparelho respiratório.

A segunda descoberta, o elemento fundamental, ultrapassou minha expectativa inicial. O amor não apenas se mostrou um sentimento, mas o núcleo funcional e indispensável de toda experiência humana. Baseado em evidências neurocientíficas, ficou claro que o amor ativa áreas do cérebro relacionadas à recompensa e motivação, enquanto desativa regiões ligadas ao julgamento social, facilitando os vínculos e a empatia. Além disso, ele regula a homeostase emocional, estabilizando nossa psique quando há equilíbrio nas trocas afetivas.

Por fim, percebi que o mundo como conhecemos depende intrinsecamente do amor, não como um conceito abstrato, mas como uma força vital que alimenta Eros e Psique e dá sentido às conexões humanas. Essa conclusão foi ao mesmo tempo simples e causadora de grande surpresa, pois, ainda que culturalmente conheçamos a importância dele, jamais imaginei que ele seria o ar que a alma e a psique respiram.

Meu estudo visava identificar uma possível anatomia da alma, mas revelou que, sem o amor, o mundo como conhecemos seria inviável. Não de forma poética ou metafórica; realmente inviável.

Deixei todas as etapas da elaboração desta ideia em uma única página que pode ser encontrada ao lado do menu “Doações”, ou através deste link.

O amor é o ar que Eros e a Psique respiram

Na tentativa de evidenciar uma possível anatomia da alma através da razão, usando ferramentas da filosofia, psicanálise e neurociência, deparei-me com conclusões inesperadas: o aparelho emocional e o elemento fundamental.

O amor não só transcende a ideia de ser apenas um sentimento, mas também se mostrou o elemento fundamental do fluxo vital que nutre tanto Eros quanto a Psique e as conexões interpessoais, além de possibilitar toda experiência humana. É uma necessidade tão básica quanto o oxigênio, mas no campo emocional. Mostrou-se, também, não só subjetivo; mas funcional e indispensável para saúde emocional e física.

Buscando na neurociência base para sustentar o que a filosofia e a psicanálise demonstraram, podemos encontrar algumas informações relevantes:

Liberada em momentos de demonstrações de afeto, como o abraço, a Ocitocina, que é conhecida como o “hormônio do amor”, está envolvida na promoção de vínculos, confiança e empatia. Já a dopamina (associada a relação de prazer e recompensa) é determinante nos estágios iniciais do amor romântico e, a serotonina, envolvida na regulação do humor e bem-estar, é alterada no amor intenso ou paixão.

 Enquanto o amor ativa áreas do cérebro associadas à recompensa e motivação (núcleo accumbens e córtex orbitofrontal), ele desativa áreas ligadas ao julgamento social, como o córtex pré-frontal e facilita o vínculo emocional.

Considerando a homeostase emocional, o amor funciona como um estabilizador quando há equilíbrio nas trocas afetivas pois, as relações baseadas em amor tem mostrado reduzir os níveis de cortisol. O isolamento emocional, porém, está associado a depressão, ansiedade e aumento de doenças crônicas.

Portanto, é natural e intuitivo sugerir a existência de um aparelho emocional tão importante quanto o respiratório, além de semelhante.

Continua…

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Observações

O amor, por meio do afeto, nutre simultaneamente a Psique e Eros, sustentando a dinâmica da experiência humana. A qualidade das relações molda a impressão deixada no meio e determina a saúde da psique; sendo Eros a força criadora indispensável que torna essa dinâmica possível. Um ambiente de amor, no entanto, é garantia de um potencial de cura, mas não de uma psique saudável, pois a saúde da psique depende das relações interpessoais. Uma fogueira forte, na direção oposta, pode gerar maior sombra.

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