Crônicas, pensamentos e reflexões.

O equilíbrio do afeto estaria subordinado a capacidade do aparelho psíquico ou este age como resposta às interações afetivas? Se considerarmos estímulos externos, o aparelho psíquico age como regulador, mas, e quando se trata da própria pulsão? O ser, em toda sua extensão, poderia ser ao mesmo tempo fonte e regulador da própria energia vital? Seria possível sermos dotados de tamanha autonomia de maneira inata?

Parte nossa, não é exclusivamente nossa; mas uma intersecção, um ponto de encontro compartilhado entre o eu e o outro e responsável pela saúde emocional e psíquica e, desta forma, outro aspecto sugere a existência de um aparelho emocional, além do aparelho psíquico, que age como área compartilhada da psique, destinada a troca de afeto.

O aparelho psíquico, primeiramente, interpreta antes de atuar como agente regulador, ou seja; precisa do proto-emocionalidade ¹ que está localizado, de acordo com esta hipótese, no aparelho emocional, que absorve e organiza os estímulos primários.

¹proto-emocionalidade se refere ao estado bruto da emoção, conceito analisado na teoria do pensar de Wilfred Bion

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Os estudos de Pierre Marty, especialmente no que se refere a mentalização e psicossomática, indicam, em sua essência que, a qualidade das defesas do organismo está ligada à capacidade de representação. Isso significa que, a qualidade das defesas mentais, ou a mentalização (que é a capacidade de compreender e regular os estímulos através dos símbolos e suas associações), quando insuficiente, resulta na descarga da energia das pulsões diretamente no organismo como último recurso para viabilizar o equilíbrio.

Pensando sobre isto, e considerando a gênese do trauma -que o define como resposta mental em conjunto com o sistema nervoso a um evento negativo -, fica evidente que a pulsão de vida é a pulsão natural, e o trauma, em conjunto com suas possíveis respostas; é reação ao não-natural.

Porém, tal conclusão dedutiva aponta em outra direção, também: O trauma (emocional), por muitas vezes, pode se manifestar pela interpretação equivocada ou parcial de um evento, não necessariamente negativo e, se isso ocorre, ocorrerá, também, no contrário, pois a pulsão de vida também está limitada a capacidade psíquica, ainda que a intenção seja positiva. Uma mãe pode superproteger seu filho, por exemplo, resultando em transtornos futuros, por sua interpretação possível da pulsão de vida.

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Minha busca começou com uma pergunta: seria possível mapear a anatomia da alma? Utilizando da filosofia, psicanálise e neurociência, decidi a explorar a essência da experiência humana, explorando as forças que nos conectam ao mundo, a nós mesmos e aos outros.

Ao buscar respostas em diferentes áreas do conhecimento, cheguei a duas descobertas centrais: o aparelho emocional e o elemento fundamental.

A hipótese de um aparelho emocional surgiu como uma analogia ao aparelho respiratório: um sistema que regula o fluxo de afetos, essencial para a saúde emocional e relacional. Assim como o oxigênio é vital para a vida física, o amor — como troca equilibrada de afeto — revelou-se indispensável para a saúde psíquica. Essa comparação mostrou que tratar das “dores da alma” seria um equívoco conceitual, como buscar na qualidade do ar características que explicassem o aparelho respiratório.

A segunda descoberta, o elemento fundamental, ultrapassou minha expectativa inicial. O amor não apenas se mostrou um sentimento, mas o núcleo funcional e indispensável de toda experiência humana. Baseado em evidências neurocientíficas, ficou claro que o amor ativa áreas do cérebro relacionadas à recompensa e motivação, enquanto desativa regiões ligadas ao julgamento social, facilitando os vínculos e a empatia. Além disso, ele regula a homeostase emocional, estabilizando nossa psique quando há equilíbrio nas trocas afetivas.

Por fim, percebi que o mundo como conhecemos depende intrinsecamente do amor, não como um conceito abstrato, mas como uma força vital que alimenta Eros e Psique e dá sentido às conexões humanas. Essa conclusão foi ao mesmo tempo simples e causadora de grande surpresa, pois, ainda que culturalmente conheçamos a importância dele, jamais imaginei que ele seria o ar que a alma e a psique respiram.

Meu estudo visava identificar uma possível anatomia da alma, mas revelou que, sem o amor, o mundo como conhecemos seria inviável. Não de forma poética ou metafórica; realmente inviável.

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