Crônicas, pensamentos e reflexões.

Até este ponto, as emoções primárias foram reconhecidas como reações à interação com Eros. Portanto, o aparelho emocional não poderia ser repositório de nada além de amor em estado bruto, enquanto o aparelho psíquico é encarregado de regular as emoções primárias.

Por se tratar de um meio para a realização de Eros, ainda não pode ser interpretado pelo aparelho psíquico. O amor manifestado carrega consigo elementos que estão além da lógica e cognição, podendo ser sentido, mas nem sempre explicado.

Diferentemente das outras reações inconscientes, ora manifestadas através das emoções primárias, não reflete acúmulo das experiências vividas. É uma necessidade básica que pressupõe troca para a realização da homeostase emocional, que, como aponta este estudo, é a realização da alma e instrumento para a regulação emocional, pois, mesmo o autoamor consciente de sua natureza, também busca a integração e conexões genuínas para troca.

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Amor-próprio

A psique, quando iluminada por Eros sem saber disso, tende a acreditar na própria luminescência, o que é, naturalmente, um engano. Neste ponto, a vaidade pode ser confundida com amor-próprio e privá-la dos benefícios do autoamor, enganando a si mesma e aos outros, como quem observa a lua acreditando que ela seja portadora da própria luz, impedindo a realização de Eros.

Jung, embora usando outros termos, alertou em sua obra Aion que o ego tenta usurpar a herança do self, para a qual não está qualificado de forma alguma. Já o autoamor da psique, quando consciente da presença de Eros, é integrativo e essencial para a saúde mental; pré-requisito para a consciência da dinâmica entre Eros e psique; o eu e o outro, as sombras na parede da caverna, o aparelho emocional e, principalmente, o elemento fundamental como o ar: o amor que viabiliza toda esta dinâmica, como na individuação – embora Jung não tenha mencionado explicitamente o amor como elemento fundamental da integração.

O autoamor, quando consciente da origem de sua luz, tende naturalmente a depositar amor no aparelho emocional para ser compartilhado. Não encontra fim em si mesmo, pois a realização de Eros se consiste na multiplicação e inclusão através de conexões genuínas, regulando a psique e oferecendo aos outros a mesma possibilidade. O autoamor, quando ignora sua natureza, aliena-se, provoca ciúme por acreditar que é provedor da própria luz e exige devoção. Nesse ponto, já deixou de ser fluxo natural de Eros e não há mais depósito no aparelho emocional.

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Referências bibliográficas
JUNG, Carl Gustav. Aion: Estudos sobre o simbolismo do Si-mesmo. Tradução de Sérgio C. B. de Moraes. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.

JUNG, C. G.; VON FRANZ, M.-L.; HENDERSON, J. L.; JACOBI, J.; JAFÉ, A. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1977.

Equilíbrio

Se pensarmos sobre as emoções primárias: felicidade, medo, raiva e tristeza, notamos uma evidente desvantagem de três para um na busca pelo equilíbrio emocional, pois a inclinação natural é o desequilíbrio. Não havendo maneira de equilibrar as emoções primárias de forma quantitativa, a alternativa é regular a intensidade delas, podendo assim obter, finalmente, o equilíbrio, e essa tarefa e executada pelo aparelho psíquico.

Considerando Eros como a pulsão principal, a felicidade seria a expressão de sua realização, enquanto as demais seriam reações manifestadas pela frustração. Tendemos naturalmente à frustração pois, se por um lado temos equivalência entre felicidade e tristeza, mas não dispomos de coragem e amor como emoções primárias opositoras ao medo e a raiva.

Entretanto, podemos através das conexões genuínas de afeto e cuidado, obter amor como oposição equivalente à raiva.

Quanto ao medo, quando compreendido em sua essência, apresenta-se como uma emoção neutra, pois carrega tanto elementos positivos quanto negativos; sendo instrumento de sobrevivência ou paralisação e, conexões genuínas auxiliam nessa compreensão.

Portanto, sob esta perspectiva, as conexões genuínas são necessárias para o equilíbrio emocional.

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