Crônicas, pensamentos e reflexões.

O rio

O medo vinha como sombras, com suas formas distorcidas e sem nenhuma chance de saber o que havia entre a fogueira e a parede¹.  O silêncio das vozes caladas quebrado pelos soluços dos condenados por aqueles que sempre têm razão. Oprimido e opressor compondo uma sinfonia de caos, angústia e virtude, mas que, de alguma forma, parecia calma para aqueles que se libertaram de suas amarras e, as margens, só viam o rio passar, calmamente.

Ah, virtude! Como é fácil te confundir com vaidade! Jaz nas almas daqueles a quem segrega, um fundo de respeito e admiração, mas, nas linhas da história da vida, todos saberão quem, de fato, foram: sombras na parede.

Os justos choram e suas lágrimas regam o solo de onde brotará a árvore que, de seus frutos, muitos se alimentarão, pois, da indignação dos justos, muitos se saciarão. E quanto a isso, soberba, não há o que possa fazer; só os verdadeiros nobres derramam lágrimas pelo que é justo, e só essas podem preparar o solo fértil, ao contrário de ti, que quando chora é por raiva ou inveja. Do seu solo só virá lama e decepção.

Seja forte, virtuoso! Pois o grito do coração de uma pessoa virtuosa ecoa no mundo e, sob toda injustiça, há de nascer a esperança.

Longe das amarras o rio continua. De lá é possível ouvir a sinfonia, assim como ver o maestro, a plateia e os músicos.

¹ Referência a Alegoria da Caverna de Platão.

Ah, o viés!

Depois de enfrentar duras críticas, Antônio Viés encontrou-se com seus amigos e, após contar-lhes o que lhe havia acontecido, por unanimidade, estes imediatamente compartilharam da mesma indignação. “Como isso é possível?” – Disse Márcio Contexto que continuou a argumentar: “Seus atos são totalmente justificáveis dentro das possibilidades disponíveis!” – completou com veemência. Jorge Relativista, porém, foi além: “Ora! De forma alguma você errou, afinal, sua causa é nobre!” – afirmou com segurança.

 Antônio Viés estava confortável agora, pois, ainda que seus atos, quando praticados por outros poderiam ser condenáveis, seu contexto e a crença na nobreza de seus fins o isentavam de qualquer culpa.   

Pedro Razão ouvia a conversa sozinho na mesa ao lado. Estava ficando tarde…

Se um dia ouvir tal pergunta em um processo seletivo; corra. Até porque, será equivalente a seguinte pergunta: “Se eu te der um carro com o motor falhando e você estiver bêbado, será capaz de realizar uma entrega?”.

Tudo bem, pode ser que sob pressão você libere a produção de outros hormônios na classe das Catecolaminas. Talvez a demanda seja recebida como um desafio ou algo que careça de um certo heroísmo; o que descaracteriza o estresse.

Ok, vamos lá. Imagine que há uma coruja no seu cérebro… Sim, foi exatamente o que eu quis dizer, pois as características da coruja, como os olhos grandes e penetrantes, podem representar a capacidade de análise e discernimento do córtex pré-frontal. Além disso, a coruja é frequentemente associada à sabedoria, o que reflete a função executiva desse importante componente cerebral.

Sob estresse, essa coruja fica maluca, ou seja: funções como memória recente, autocontrole, mudança de foco, regulação emocional, tomada de decisão, processamento de conflitos, monitoramento de erros, avaliação de recompensas e punições, regulação do comportamento social. Etc. Deixam de ser executadas corretamente.

E, se não bastasse, aumenta a liberação de cortisol, que tem papel na regulação do sono, manutenção da pressão arterial, regulação de açúcar no sangue, entre outras. E o aumento da produção de cortisol por estresse pode causar distúrbios do sono, ganho de peso, problemas digestivos, diminuição da libido, ansiedade, irritabilidade e por aí vai, ou seja: o motor do carro falhando enquanto é conduzido por um bêbado.