Crônicas, pensamentos e reflexões.

As relações de afeto carecem de equilíbrio como na homeostase¹. Tanto a hiperóxia² quanto a hipercapnia³ resultam em prejuízos para a saúde. Dar afeto sem receber, ou só receber; também. Não há exagero nesta comparação.

Desejar tratar dos problemas da alma é o mesmo que tratar dos problemas do ar, e não do aparelho respiratório. O que não exclui tal possibilidade, pois o ar pode estar impróprio, assim como as pessoas do meio onde estamos inseridos. Mas o uso do termo “dores da alma” está equivocado; seria mais apropriado o aparelho emocional, responsável pela qualidade e equilíbrio do fluxo dos afetos.

Toda a dinâmica descrita na alegoria, anteriormente, é reproduzida de modo a revelar as impressões individuais em relações interpessoais e o meio, mas não retratam dinâmica interna e individual, tampouco considera o elemento que é necessário até mesmo para a fogueira: O ar. E este é essencial tanto para os processos externos quanto internos; nutri tanto Eros quanto a Psique. É o elemento fundamental da experiência humana.

“Em última análise, precisamos amar para não adoecer”

Sigmund Freud, Introdução ao narcisismo (1914).

¹ Capacidade dos organismos vivos de manter o equilíbrio interno, mesmo diante de mudanças externas

² Excesso de oxigênio

³ Excesso de dióxido de carbono

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Ainda que o objeto seja identificado como a projeção da própria sombra na parede, que detalhes o observador reconheceria de si mesmo, além da silhueta que sofrera variações de proporções distorcidas pela distância e irregularidades da parede da caverna?

E, ainda que houvesse mais pessoas, lado a lado, com a luz da fogueira sobre suas costas e olhando para as próprias sombras projetadas, além de privar-se de uma visão (ao menos parcial) do outro, ainda teriam uma percepção equivocada sobre a realidade.

Agora, imagine se essas pessoas estivessem sentadas em torno e de frente para a fogueira. Poderiam falar umas sobre as outras, enxergar seus grilhões e, finalmente, se liberar para decidir sair, ou não da caverna.

Perceber o outro, sob a perspectiva desta alegoria, depende da posição que nos encontramos em relação a fogueira.

A alma é como a luz capaz de promover toda experiência humana e, a qualidade da experiência, porém, depende do nosso posicionamento em relação a ela. Sua anatomia está intrinsecamente vinculada a nossa interferência em relação ao seu fluxo natural e o meio em que vivemos, essa projeção pode promover beleza ou dor.

Em última análise, precisamos amar para não adoecer

Sigmund Freud, Introdução ao narcisismo (1914).

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Tendo como ponto de partida que Eros é a fogueira, que quando o percurso de sua luz em direção a parede da caverna encontra um obstáculo, e a visão deste do obstáculo sobre a sua própria sombra ganha interpretação de algo além de si próprio, desconsiderando sua natureza causadora; cria-se a ilusão de dualidade e a consciência de um “eu” observador.

A descrição desta interação revela outras coisas também, como, por exemplo, que na ausência de uma alma (Eros), a psique não teria condições perceber a si mesma como observadora de uma sombra, nem como agente observador e, tampouco aspirar a consciência de agente causador. Diz também, que a caverna, a fogueira e o observador são partes da composição da experiência humana e, sobretudo, diz que a alma é a única fonte capaz de promover e revelar esta dinâmica.

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