O objetivo de mapear a anatomia da alma, de forma a oferecer uma visão tangível e, por consequência, tratamentos mais eficientes para as dores sociais, foi se desenvolvendo silenciosamente durante anos, até que, nos últimos meses, ganhou maior intensidade e ocupou toda a minha dedicação e tempo.
A primeira e decisiva hipótese, que (por acaso) se distanciou da psicanálise tradicional — pois o presente trabalho considera Eros como a pulsão original e Tânatos como uma consequência subordinada — foi essencial em todo o processo de elaboração e fundamentação.
A partir desse ponto, o objetivo não era o de equilibrar pulsões, mas de compreender onde haveria obstáculos impedindo a realização do fluxo de Eros — o que daria força a Tânatos (além da necessidade saudável).
Após rever cuidadosamente a ideia tradicional a respeito das características de Eros (adaptando algumas delas) durante a evolução dos meus estudos, pude observar que, quando essas características não são expressas ou realizadas, geram consequências que denominamos “dores da alma” e, quando realizadas, promovem equilíbrio e vitalidade.
O que difere o presente trabalho dos métodos convencionais é que essa abordagem pode oferecer uma visão macro; pois, ainda que olhemos para um problema com base em suas consequências e ofereçamos condições para que este seja elaborado, creio que deve ser levado em conta o fato de que a solução de um problema não previne, necessariamente, que ele se manifeste outra vez. Há êxito incontestável na ressignificação, mas, se as necessidades básicas da alma não forem atendidas e, se não houver conhecimento sobre seus anseios e da necessidade de realização que depende da qualidade de seus fluxos, provavelmente haverá nova necessidade de ressignificação e trabalho constante do aparelho psíquico.
A seguir, deixarei as características que observei sobre Eros, sugestões de problemas que podem ser atribuídos diante da ineficácia de seu fluxo e, por fim, uma analogia física (somente para fins de correspondência analógica e, de forma alguma, afirmando que haja relação entre os problemas emocionais e a analogia física; embora possa haver).
Aspectos “primitivos”:
Sobrevivência: Instinto de sobrevivência, capacidade de manter-se vivo. Analogia física: Sistema digestivo e respiratório. Possíveis problemas: Ansiedade constante, insegurança, falta de resiliência.
Libido: Criatividade, paixão e a perpetuação da vida. Analogia física: Sistema reprodutor. Possíveis problemas: Apatia, bloqueios sexuais ou emocionais, falta de entusiasmo.
Integração com o meio: Capacidade de adaptação e interação. Analogia física: Sistema respiratório e pele. Possíveis problemas: Alienação, sensação de deslocamento, falta de enraizamento..
Aspecto que transita entre os dois grupos:
Realização da alma (talentos): Expressão de talentos e realização de propósito. Analogia física: Mãos e sistema nervoso. Possíveis problemas: Bloqueio criativo, sensação de inutilidade, falta de propósito.
Aspectos “complexos”:
Autoamor (consciente): Cuidar de si mesmo de forma consciente, compreendendo que o amor não encontra fim em si mesmo. Analogia física: Sistema imunológico. Possíveis problemas: Autocrítica excessiva, negligência própria, falta de limites saudáveis.
Transcendência: A busca por algo maior (seja espiritual, filosófico ou simbólico). Analogia física: Sistema nervoso central. Possíveis problemas: Vazio existencial, falta de propósito mais profundo, desconexão espiritual.
Conexões genuínas (troca e cuidado): Troca de amor e cuidado. Analogia física: Coração e sistema circulatório. Possíveis problemas: Isolamento, relações superficiais, falta de reciprocidade.
Para melhor compreensão, podemos imaginar a seguinte situação: Após um diagnóstico, uma pessoa se submete a uma cirurgia para desobstruir uma artéria. Com o procedimento realizado, seu médico recomenda que ele procure um nutricionista para melhorar sua dieta. O paciente o faz, mas sua nova dieta o entristece profundamente.
Esta pessoa então, que já passou pelo procedimento, foi curado de um problema e fez a manutenção da cura ao adaptar sua dieta, mas agora entristecida, pode ter seu aspecto de conexões genuínas obstruído e, por ser um aspecto complexo, buscará fluir através de um aspecto primitivo como compensação, pois são os aspectos de maior proximidade com o “eu”. Logo, o fluxo de conexões genuínas será direcionado para o aspecto de sobrevivência, por exemplo, e fará com que a pessoa busque o conforto emocional através deste, podendo causar comportamentos compulsivos.
Segundo o presente estudo, a sustentação para manter a manutenção da cura seria possível da seguinte forma: terapia para identificar a causa emocional e suporte para tratá-la e sustentação através de um propósito, pois este aspecto transita entre os dois grupos.
O presente estudo não traz provas empíricas, mas é baseado em observação e em uma construção teórica fundamentada que pode ser encontrada através deste link.
Um modelo de teste está disponível no endereço abaixo a título de curiosidade.
Teste Fluxos de Eros