Crônicas, pensamentos e reflexões.

Arquivo para fevereiro, 2025

Um sonho, um olhar atento e algumas possíveis descobertas.

À medida que me debruçava sobre meus pensamentos, deixando de lado o medo de parecer tolo -o que exigiu um esforço enorme -, pois, que tipo de maluco dedicaria tanto tempo e esforço para tentar observar os aspectos da alma, enquanto os boletos continuavam a bater à porta?

A própria jornada, porém, me revelou dois aspectos importantes: A realização da alma e transcendência. Por outro lado, negligenciei a sobrevivência e integração com o meio, o autoamor consciente parecia secundário, e quanto à libido… O que é isso? Bem, ela ainda tem o poder da criatividade.

Por muitas vezes senti a angústia, pois, o que estava propondo não ressoava em lugar algum e acabei por sentir o vácuo existencial (conceito da logoterapia que se refere à frustração da vontade de sentido), mas apesar disso, me recusei a parar; afinal, a vontade de sentido, eventualmente frustrada, ainda era melhor que a ausência de qualquer vontade de sentido.

Para minha sorte, as conexões genuínas me sustentaram e ainda sustentam. Honestamente, não sei o que teria feito sem elas, porque o suporte emocional, além de me sustentar, comprovou a importância do próprio aspecto.

Muitas surpresas surgiram, mas a necessidade de me manter cético fizeram eu passar por momentos do tipo: “nem vendo eu acredito”, como aconteceu com a relação entre aspectos, cores e frequências.

A surpresa mais recente se deu quando um amigo psicólogo me falava sobre a logoterapia. A abordagem chamou minha atenção imediatamente, assim, fui pesquisar artigos, livros e assisti a uma entrevista com o próprio Viktor Frankl (que eu recomento) e, uma ficha caiu.

Não pude deixar de notar a correspondência entre a logoterapia e dois aspectos de Eros: realização da alma e transcendência, então, a busca por correspondência entre outras abordagens e os aspectos de Eros não careceu de esforço algum, pois já estava lá, mesmo que implícita. A psicanálise freudiana com sua libido, a TCC com a integração com o meio e autoamor consciente, a psicologia analítica com a transcendência e individuação…

 O fato de um pensamento de abril de 2013 questionando a origem do mal, passando por vários caminhos até chegar à pesquisa da psicóloga social Naomi Eisenberger sobre as dores sociais, que são sentidas no Córtex Cingulado Anterior (assim como a dor física) e, a partir deste ponto buscar correspondência emocional equivalente entre os mecanismos que fazem o cérebro “saber onde dói” e identificar a “parte” da alma que tem problemas, foi uma busca que compensou qualquer vácuo existencial.

Mas, se meu trabalho não encontrar utilidade, porém, ainda será incompleto. De qualquer forma, me alegra saber que talvez, aqui se encontre uma possibilidade de direcionamento para a abordagem mais adequada para tratar das dores da alma.

Como prismas

Por um momento, imagine a pulsão de vida como a luz que encontra um prisma. Pense nessa pulsão (Eros), em encontro com a psique, estabelecendo a divisão de cores e manifestando suas características.

Leve em conta o comprimento das ondas: menor frequência e maior comprimento de onda, refletem cores como o vermelho, laranja e amarelo. Por coincidência, ou não, são cores normalmente associadas à materialidade, instintos. Etc.

Da mesma forma, maior frequência e menor comprimento de onda, resultam em cores como o azul, violeta, índigo e verde. Que também trazem consigo significados, mas são associadas à conceitos mais complexos, como realização, transcendência. Etc.

Pense que esse prisma, por alguma razão, está opaco em algumas áreas e, sendo assim, algumas cores aparecerão mais nítidas sobrepondo outras. Da mesma forma, pense a psique, com seus complexos e traumas impedindo a manifestação de alguns de seus aspectos e valorizando excessivamente outros.

Talvez, o foco devesse estar na realização, na busca de soluções para problemas que impeçam a expressão de todos os aspectos, na manutenção e sustentação. Na garantia do equilíbrio, enfim.