Crônicas, pensamentos e reflexões.

Arquivo para dezembro, 2024

Equilíbrio

Se pensarmos sobre as emoções primárias: felicidade, medo, raiva e tristeza, notamos uma evidente desvantagem de três para um na busca pelo equilíbrio emocional, pois a inclinação natural é o desequilíbrio. Não havendo maneira de equilibrar as emoções primárias de forma quantitativa, a alternativa é regular a intensidade delas, podendo assim obter, finalmente, o equilíbrio, e essa tarefa e executada pelo aparelho psíquico.

Considerando Eros como a pulsão principal, a felicidade seria a expressão de sua realização, enquanto as demais seriam reações manifestadas pela frustração. Tendemos naturalmente à frustração pois, se por um lado temos equivalência entre felicidade e tristeza, mas não dispomos de coragem e amor como emoções primárias opositoras ao medo e a raiva.

Entretanto, podemos através das conexões genuínas de afeto e cuidado, obter amor como oposição equivalente à raiva.

Quanto ao medo, quando compreendido em sua essência, apresenta-se como uma emoção neutra, pois carrega tanto elementos positivos quanto negativos; sendo instrumento de sobrevivência ou paralisação e, conexões genuínas auxiliam nessa compreensão.

Portanto, sob esta perspectiva, as conexões genuínas são necessárias para o equilíbrio emocional.

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A responsabilidade é de todos

Ao verificar que a natureza dos problemas emocionais está concentrada nas relações, me parece coerente acreditar que a cura, também está nelas. Por mais que tenhamos capacidades psíquicas para regular através de qualquer mecanismo, se a proto-emocionalidade se mantiver problemática, exigirá um trabalho constante e, por fim, exaustivo, na tarefa de reequilibrar a psique.

A ideia de um aparelho emocional, inato e compartilhado, como área que recebe, organiza e promove a troca de afeto, coloca a razão como tarefa do aparelho psíquico, incumbindo-o de buscar relações legítimas para a homeostase emocional. A ideia do aparelho psíquico, por muitas vezes tendo como função principal a de reparador, poderia ser substituída pela função de avaliador, mediador e guia que busca conexões saudáveis e legítimas. A ideia de que somos totalmente responsáveis pela nossa saúde emocional (não só essa) deveria referir-se exclusivamente à busca de qualidade nas relações, e isso significa, também, que parte da psique que é compartilhada, pressupõe responsabilidade mútua no que se refere à saúde dessa.

Quando tratamos temas como o cuidado e as conexões legítimas de maneira abstrata, eles acabam sendo entendidos de maneira superficial, quase como conceitos místicos ou filosóficos, que muitas vezes não atendem as exigências práticas do contexto da saúde mental.
Este estudo, através de um modelo tangível, buscou transportar esses conceitos abstratos para o campo da análise pragmática.

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A intersecção vital

O equilíbrio do afeto estaria subordinado a capacidade do aparelho psíquico ou este age como resposta às interações afetivas? Se considerarmos estímulos externos, o aparelho psíquico age como regulador, mas, e quando se trata da própria pulsão? O ser, em toda sua extensão, poderia ser ao mesmo tempo fonte e regulador da própria energia vital? Seria possível sermos dotados de tamanha autonomia de maneira inata?

Parte nossa, não é exclusivamente nossa; mas uma intersecção, um ponto de encontro compartilhado entre o eu e o outro e responsável pela saúde emocional e psíquica e, desta forma, outro aspecto sugere a existência de um aparelho emocional, além do aparelho psíquico, que age como área compartilhada da psique, destinada a troca de afeto.

O aparelho psíquico, primeiramente, interpreta antes de atuar como agente regulador, ou seja; precisa do proto-emocionalidade ¹ que está localizado, de acordo com esta hipótese, no aparelho emocional, que absorve e organiza os estímulos primários.

¹proto-emocionalidade se refere ao estado bruto da emoção, conceito analisado na teoria do pensar de Wilfred Bion

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