Crônicas, pensamentos e reflexões.

Arquivo para dezembro, 2024

O “eu” é partícula, o “nós” é onda.

Talvez, a forma como temos observado o indivíduo, apesar de eficaz, seja parcial.  Ao analisarmos o “eu”, desejamos aplicar as regras de previsibilidade, entretanto, há outra forma de manifestação expressada sob uma perspectiva mais integrada, onde o “nós” age como onda, conectando os indivíduos através do aparelho emocional, viabilizando o fluxo de Eros.

Uma perspectiva não anula a outra, mas, talvez, possa complementar, pois, o estudo do “eu” nos ajuda na compreensão da individualidade e suas especificidades, enquanto a visão do “nós” demonstra uma interconexão essencial. Ambas têm sua mesma importância.

O eu é partícula, porque nesse caso o ego é o observador. O ‘nós’ é onda porque, nesse caso, o ‘Eu’ (Self) é o observador.

O início

A falta se deu quando o fluxo natural de Eros, através do aparelho emocional, foi rompido. Então, Eros, como pulsão de vida, buscou outro caminho para sua realização através da psique. A luz de Eros a iluminou, e ela notou a desconexão, e se identificou como um eu separado do todo, criou suas defesas e se tornou consciente, pois, ela se enxergou.

Há doze anos

Questionei o demônio e ele me apontou o orgulho; questionei o orgulho e ele me apontou a carência; questionei a carência e ela me apontou a criança. Confuso, questionei a criança, e ela me apontou o espelho. Ao olhar para o espelho, vi minha imagem refletida, não reparei se havia algo além dela. Conheci o ego. A busca terminou, ali estava a origem do mal, que só a criança poderia apontar.

Há doze anos, escrevi, ainda sem saber, o que se tornaria a Anatomia da Alma. Desde então, tentei intuitivamente traduzir aquilo que me ocorreu de forma poética e intuitiva em conceitos psicanalíticos, filosóficos e neurocientíficos. 

Tudo se resume à compreensão de que a origem do mal é o ego — no sentido de ignorar seu pertencimento ao todo. Ele se formou na carência pela falta, pois a inocência da criança não poderia compreender o fato de não ser atendida, a não ser que se percebesse como alguém separado. O orgulho surgiu como recalque. 

A proposta do estudo é o caminho de volta: atravessar as barreiras do orgulho, reconhecer a carência, reencontrar a criança e a inocência — não de forma literal, mas no sentido de resgatar a capacidade de se maravilhar novamente em cada conexão afetiva e voltar, finalmente, a se sentir parte do todo.

Deixei todas as etapas da elaboração desta ideia em uma única página que pode ser encontrada ao lado do menu “Doações”, ou através deste link.,