Crônicas, pensamentos e reflexões.

Arquivo para novembro, 2024

As cores das palavras

Pensando sobre a experiência da leitura e seus detalhes como: significado das palavras, sonoridade das silabas e a “música” da leitura, quando se lê uma frase, por exemplo; imaginei que nem todos podemos desfrutar de tal prazer. Mas será que é uma realidade assim, e ponto final?

Lembrei-me, porém, que cada cor corresponde a uma frequência de luz, assim como cada nota musical possui uma frequência e, logo, pareceu muito razoável obter a sensação da experiência da frequência de forma visual, quando não for possível de forma auditiva.

Bem, estudei as correspondências e trabalhei em um código que convertesse os textos cinzas em coloridos, com suas silabas pintadas de acordo com sua frequência correspondente para quem sabe, um dia, proporcionar uma leitura mais rica para alguém.

Segue o exemplo com uma frase de Shakespeare:

Um futuro promissor?

Na quarta revolução industrial fica claro que a inteligência pode ser substituída, assim como foram a força física outrora e a destreza em alguns casos. Isso evidencia o que não pode ser substituído: a empatia, a criatividade e os valores morais. Mas estaríamos preparando o mundo para isso? Pois, na medida em que estamos fazendo tais substituições, não estamos construindo um contraponto no qual possamos viver, sermos produtivos e nos sustentarmos, pois, na direção que as coisas estão caminhando, isso será privilégio de uma minoria.

A ideia de comodidade, onde a tecnologia torna nossas vidas mais fáceis, não considera (ou, quando o faz, é superficialmente) os efeitos colaterais disso.

À medida que a tecnologia avança, teríamos que ter, por obrigação, a valorização do que nos é intrínseco e a garantia das nossas necessidades quando o trabalho se tornar escasso. Digo isto porque a criatividade e a empatia não poderão ser garantia de sustentabilidade, ainda que tenham tal poder no presente. Descartar a empatia e os valores morais, colocando-os na mesma categoria do trabalho físico e do resolver equações complexas, fará com que nosso futuro seja incerto e perigoso, pois, se não valorizarmos o que nos torna únicos agora, a empatia não dará conta de transformar o fiasco já estabelecido, e os valores morais e éticos, que deveriam estar criando os contrapontos, estarão sufocados junto com nossa existência.