Ainda que o objeto seja identificado como a projeção da própria sombra na parede, que detalhes o observador reconheceria de si mesmo, além da silhueta que sofrera variações de proporções distorcidas pela distância e irregularidades da parede da caverna?
E, ainda que houvesse mais pessoas, lado a lado, com a luz da fogueira sobre suas costas e olhando para as próprias sombras projetadas, além de privar-se de uma visão (ao menos parcial) do outro, ainda teriam uma percepção equivocada sobre a realidade.
Agora, imagine se essas pessoas estivessem sentadas em torno e de frente para a fogueira. Poderiam falar umas sobre as outras, enxergar seus grilhões e, finalmente, se liberar para decidir sair, ou não da caverna.
Perceber o outro, sob a perspectiva desta alegoria, depende da posição que nos encontramos em relação a fogueira.
A alma é como a luz capaz de promover toda experiência humana e, a qualidade da experiência, porém, depende do nosso posicionamento em relação a ela. Sua anatomia está intrinsecamente vinculada a nossa interferência em relação ao seu fluxo natural e o meio em que vivemos, essa projeção pode promover beleza ou dor.
“Em última análise, precisamos amar para não adoecer”
Sigmund Freud, Introdução ao narcisismo (1914).
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